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A cidade como artefato trágico em Hécuba de Eurípides: : individuação e responsabilidade no projeto socrático de filosofia

Francisco de Assis Vale Cavalcante Filho

Autor
Francisco de Assis Vale Cavalcante Filho
Revista
Trilhas Filosóficas
Edição
17 / 1
Ano
2024
DOI
10.25244/1984-5561.2024.6183
Páginas
45-64
Idioma
pt
2024Francisco de Assis Vale Cavalcante Filho. A cidade como artefato trágico em Hécuba de Eurípides: : individuação e responsabilidade no projeto socrático de filosofia. Trilhas Filosóficas, v. 17, n. 1, p. 45-64, 2024.3

Parto da noção de projeto filosófico para conferir unidade a uma leitura comparada dos diálogos socráticos e da tragediografia encenada em Atenas. Sócrates, apesar de não reivindicar um saber, ao opinar, marca posições políticas, as quais crê justificar. Ao ler Hécuba percebi um esquema similar ao do Fédon: apologia da protagonista, clímax e resolução. Sócrates, como Polixena, se dirige voluntariamente para o sacrifício que uma maioria, da qual não participa, lhe impõe. Ambos se investem do heroico, conduta compatível com o estimado melhor caráter. Platão aceita como Eurípides que a cidade seja responsável pelos males que sobre ela se abatem. Discorda, porém, que os deuses sejam causa disto e se afasta da crença na impossibilidade de autonomia, para ele política, do humano face à vida e deuses. Contra a concepção de uma destinação trágica, o ateniense propõe uma filosofia política, em que cidade e cidadão são vistos um em função do outro. Uma vez que não se instauram em nós por natureza, é decisivo que o cidadão seja educado a buscar a excelência que gera a política, sem a qual é impossível pensar o limite, a medida e a responsabilidade da ação que cabe ao coletivo e a cada um.