- Autor
- Abel Beserra
- Revista
- Polymatheia - Revista de Filosofia
- Edição
- 19 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.52521/k0gdhy61
- Idioma
- pt
O presente artigo procura investigar se a obra de Keith Haring, que ganhou visibilidade ao longo da década de 1980, foi produzida com uma consciência histórica que retoma criticamente a história da pintura, sobretudo nos Estados Unidos da América (EUA) das décadas de 1950 e 1960. Caso a resposta para tal pergunta for positiva, então podemos considerar que existe em seu traço, nas imagens por ele realizadas, uma elaboração daquelas inovações técnicas promovidas pelas vanguardas do modernismo. Dessa maneira, a forma artística de Haring não se reduziria a uma simples repetição estereotipada da linguagem da modernidade que o precedeu, mas sim partiria da inscrição dos signos modernos em um outro sistema semiótico, ou seja, converteria os emblemas modernos em pós-modernos. Esse esforço de tradução de uma linguagem em outra, porém, não seria um mero pastiche ou ato nostálgico, na medida em que revelaria um posicionamento tanto reflexivo quanto, em certo sentido, inovador, embora em um momento histórico diferente daquele em que ocorreram as vanguardas, posto que o contexto contemporâneo é de pós-modernidade.
