A DESCONSTRUÇÃO E O OUTRO-ESTRANGEIRO: Da naturalização de uma sub-humanidade à forçagem dos direitos humanos a um novo cosmopolitismo e à redefinição do ético-político-´jurídico no mundo contemporâneo
Martha Luiza Macedo Costa Bernardo
- Autor
- Martha Luiza Macedo Costa Bernardo
- Revista
- Sapere Aude
- Edição
- 16 / 31
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.5752/P.2177-6342.2025v16n31p63-82
- Páginas
- 63-82
- Idioma
- pt
O artigo pretende tratar da questão do estrangeiro no pensamento da desconstrução, particularmente do outro-imigrante, e de suas implicações na reflexão derridiana sobre o ético, o político e o jurídico. Em relação à ética, pensaremos a hospitalidade, um quase-conceito não-antropológico que se apresenta como um imperativo das relações com o outro, devendo-se distinguir entre hospitalidade condicional e hospitalidade incondicional, distinção essa imprescindível, para Derrida, na reorientação do direito internacional contemporâneo. Também nos debruçaremos sobre a criação das cidades-refúgio, um experimento prático portador de uma nova forma de pensar a cidade além dos fundamentos políticos da modernidade, calcados na soberania dos Estados e na definição do humano como cidadão. Defendo que é através dessas reformulações do ético, do político e do jurídico – cuja forçagem se dá com o problema das imigrações – que Derrida vê a emergência de um novo cosmopolitismo e de uma solidariedade internacional do que ele denomina “os amigos da democracia”.
