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A distância entre Deus e os homens: Montaigne e a circunspecção acadêmica

Luciana Maria Azevedo de Almeida

Autor
Luciana Maria Azevedo de Almeida
Revista
Cadernos de Ética e Filosofia Política
Edição
45 / 2
Ano
2026
DOI
10.11606/issn.1517-0128.v45i2p70-90
Páginas
70-90
Idioma
pt-BR
2026Luciana Maria Azevedo de Almeida. A distância entre Deus e os homens: Montaigne e a circunspecção acadêmica. Cadernos de Ética e Filosofia Política, v. 45, n. 2, p. 70-90, 2026.4

Este artigo analisa o empréstimo do tratado Sobre o E de Delfos, de Plutarco, que encerra a Apologia de Raymond Sebond e revela uma convergência conceitual entre os dois autores na compreensão da condição humana e das relações entre os homens e Deus. Plutarco e Montaigne sustentam uma separação ontológica entre o humano e o divino, contrapondo à contingência, à instabilidade e à mutabilidade próprias à condição humana a permanência e a imutabilidade de Deus. Argumento que esta distinção é decisiva para compreender a articulação entre ceticismo e prática religiosa na Apologia, que, ao invés de conduzir a uma posição fideísta, fundamenta um ceticismo de feição acadêmica, no qual a suspensão do juízo coexiste com uma atitude de circunspecção diante do divino, remetendo à noção de eulábeia.