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A ESTRANHA OBJETIVIDADE DO VALOR: : TRABALHO, IDEOLOGIA E CAPITAL NO PENSAMENTO DE MARX

Wécio Pinheiro Araújo

Autor
Wécio Pinheiro Araújo
Revista
Trilhas Filosóficas
Edição
11 / 3
Ano
2019
Páginas
157-175
Idioma
pt
2019Wécio Pinheiro Araújo. A ESTRANHA OBJETIVIDADE DO VALOR: : TRABALHO, IDEOLOGIA E CAPITAL NO PENSAMENTO DE MARX . Trilhas Filosóficas, v. 11, n. 3, p. 157-175, 2019.3

Em O Capital, Marx nos alertou que a mercadoria tem um caráter misterioso que carrega "sutilezas metafí­sicas e argúcias teológicas". Este artigo tenta decifrar um pouco desse mistério buscando decodifica-lo naquilo que denominamos como a estranha objetividade do valor. Para isso, analisamos a relação entre a ideologia e o valor a partir da crí­tica marxiana à mercadoria, consignada à lógica de Hegel. Vemos que o valor se constitui como razão ontológica da mercadoria enquanto produto do processo de trabalho que carrega uma racionalidade imanente, isto é, um espí­rito socialmente produzido que se objetiva à medida que é vivenciado pelos indiví­duos como uma lógica social que rege as relações nesta sociedade. Isso se dá por meio de "sutilezas metafí­sicas" na formação da realidade social marcada por contradições estabelecidas entre, de um lado, o conteúdo objetivo das relações sociais, e de outro, a forma como essas relações são vivenciadas pela consciência na sociedade capitalista. Nesta relação entre conteúdo e forma, encontramos determinações de profundidade ontológica entre o valor e a ideologia, enquanto forma social que opera harmonizando as contradições constituintes da realidade social, a exemplo do que acontece no trabalho assalariado. A mediação ideológica se põe como uma progressão imanente à materialização da vivência concreta da relação entre capital e trabalho no salário, de maneira a naturalizar a exploração que se esconde na estranha objetividade do valor que se realiza na troca de mercadorias. Concluí­mos que a conexão ontológica entre o ser social e a mercadoria é socialmente ubí­qua, precisamente por conta do seu caráter ideológico na formação da sociabilidade a partir do processo de trabalho subjugado ao capital.