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A FILOSOFIA DA LIBERTAÇÃO E O LEGADO MARXIANO

Arivaldo Sezyshta

Autor
Arivaldo Sezyshta
Revista
Trilhas Filosóficas
Edição
11 / 3
Ano
2019
Páginas
77-94
Idioma
pt
2019Arivaldo Sezyshta. A FILOSOFIA DA LIBERTAÇÃO E O LEGADO MARXIANO. Trilhas Filosóficas, v. 11, n. 3, p. 77-94, 2019.2

A pergunta feita por Karl Marx, "como é possí­vel que aquele que produz a riqueza seja pobre?", evidenciou a existência de uma ética implí­cita em um discurso explicitamente econômico. Precisamente, Marx escolheu a economia como lugar mais pertinente para desenvolver seu estudo ético-crí­tico, mostrando que o momento material da economia é a produção, que só tem sentido quando gera produtos para as necessidades humanas. Analisando o capitalismo observa que a preocupação principal está em torno do capital e não do ser humano, o que o leva a desenvolver sua crí­tica ética a partir da exterioridade do trabalhador, apresentando a possibilidade de um novo projeto polí­tico, fazendo da questão social um dos maiores problemas filosóficos. Essa análise marxiana da realidade de opressão à qual está submetido o trabalhador e, sobretudo, a possibilidade de sua emancipação, é decisiva para a Filosofia da Libertação. Essa aproximação entre a reflexão marxiana e a Filosofia da Libertação permite compreender que é a exterioridade a categoria principal escolhida por Marx, enquanto ponto de partida de sua crí­tica teórica e condição para que possa levantar, a partir do trabalho, todo o edifí­cio de seu discurso. Isso torna-se decisivo para a Filosofia da Libertação e sua propositura de uma polí­tica igualmente libertadora