- Autor
- Tiago Schweiger
- Revista
- Argumentos - Revista de Filosofia
- Edição
- 18 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.36517/arf.v18i1.96385
- Páginas
- 50-64
- Idioma
- pt
O presente artigo examina os fundamentos filosóficos do surrealismo a partir do pensamento de André Breton e das considerações de Ferdinand Alquié. O projeto surrealista surge como contraposição a um modelo estreito de racionalidade que, segundo Breton, esmaga a experiência humana e aprisiona a imaginação. O que o surrealismo busca é a libertação dessa força imaginativa, e isso se dá por meio da reabilitação do mundo onírico e do estudo do inconsciente, questionando assim a hegemonia da lógica. Para isso, implementa técnicas como a “escrita automática”, ressaltando o automatismo psíquico a fim de expor o real funcionamento do pensamento, livre do controle racional. A busca do surrealismo é pelo “ponto sublime” onde as antinomias clássicas, como o sonho e a realidade, se entrecruzam, num movimento possível apenas em uma racionalidade ampliada, ou seja, uma racionalidade que leva em conta sua incapacidade de tudo abarcar e de a tudo dar sentido, e que por isso mesmo amplia seus horizontes ao não ignorar a dimensão que, tradicionalmente, é tomada como seu absoluto avesso: o mundo onírico.
