A história da substituição da metafísica, contada pela Crítica da Razão Pura: uma resposta à pergunta "É possível usar a filosofia kantiana para pensar e resolver os desafios da humanidade em 2024"?
Lucas Ribeiro Vollet
- Autor
- Lucas Ribeiro Vollet
- Revista
- Princípios: Revista de Filosofia (UFRN)
- Edição
- 31 / 64
- Ano
- 2024
- DOI
- 10.21680/1983-2109.2024v31n64ID33055
- Idioma
- pt
A transição do modelo metafísico de produção de conhecimento sobre a necessidade, para o modelo científico moderno, exigia uma investigação filosófica dos seus fundamentos, que Kant forneceu nas últimas décadas do século XVIII. Séculos depois, a análise dessa fina operação ainda desvenda perspectivas de nossa auto-compreensão como seres capazes de representar a solubilidade dos problemas sobre a verdade em uma unidade cognoscível. Muito antes de abrir o debate sobre as condições cognitivas técnicas e formais (na ciência cognitiva e na semântica moderna), Kant mostrou a capacidade reflexiva do humano para representar essas condições transcendentalmente como um problema que não é indecidível para si mesmo. Pela clareza sobre o problema originário e pelo alcance de sua leitura das consequências desse problema, Kant ainda é o marco zero de uma problematização do humano como o ser cuja presença no mundo estebelece os parâmetros para o possível e o necessário – uma discussão que pervade as ciências humanas e naturais, e que será de utilidade fundamental para o debate que tende a se intensificar nos próximos anos sobre a inteligência artificial.
