A imaginação de Kant e os dois objetos para nós: e ainda, a propósito da doutrina do Esquematismo e das duas Deduções das categorias
OLAVO CALÁBRIA PIMENTA
- Autor
- OLAVO CALÁBRIA PIMENTA
- Orientador(a)
- RODRIGO ANTÔNIO DE PAIVA DUARTE
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2012
A tese consta de quatro partes que consistem numa série de problemas interligados da filosofia kantiana. Na primeira parte, retomamos um dos problemas de que tratamos em nossa pesquisa de mestrado, quando identificamos que Kant sistematicamente utiliza dois termos para referir-se aos objetos para nós: Erscheinun [que traduzimos por ‘aparecimento’] e Phaenomenon [que traduzimos por ‘fenômeno’], mas não chegamos a descobrir as razões que levaram Kant a fazer tal diferenciação e mesmo após um minucioso levantamento da literatura secundária, não encontramos até então nenhum tratamento sistemático dado pelos intérpretes de Kant a este tema que agora descobrimos possuir significativa importância. Na esperança de solucionarmos esta primeira questão, iniciamos nossa pesquisa de doutorado tratando de um segundo problema ao qual fomos conduzidos pelo primeiro: a determinação do papel do capítulo do Esquematismo na CRP, assim como da natureza dos esquemas, já que é precisamente neste contexto que segundo Kant acontece a passagem do aparecimento ao fenômeno. A segunda parte da tese trata da questão. Como as exposições de Kant sobre o tema ao longo de sua obra são extremamente escassas, utilizamos grande parte da literatura produzida sobre o tema. Depois de um extenso levantamento bibliográfico e análise de parte substancial das interpretações mais relevantes, à medida que o trabalho avançava percebemos que há uma surpreendente quantidade de interpretações conflitantes relacionadas ao assunto, que diziam respeito a uma considerável lista de diferentes aspectos. No entanto, mesmo buscando avaliar distintas posições mediante um confronte com as exposições de Kant coligidas em várias de suas obras, não conseguimos encontrar elementos suficientes para a solução de nenhum dos dois problemas até então levantados. Frente a isto, decidimos avançar na direção de um terceiro problema, pois suspeitamos que para alcançar uma saída desta situação, precisaríamos estabelecer uma satisfatória caracterização da faculdade da imaginação, visto que é justamente a ela que cabe a responsabilidade de operar com o esquematismo e deste modo proporcionar a transformação de um objeto para nós (aparecimento) no outro (fenômeno). Com o auxílio da literatura secundária e em especial de certos textos de Kant, como a Antropologia de 1978, por exemplo, identificamos várias características próprias da imaginação, relacionadas com o que chamamos de seu ‘status’, ‘fontes’, ‘modo de proceder’, ‘conduta’ e ‘caráter’. Estas investigações correspondem à terceira parte deste trabalho. Tendo conseguido formular nesta terceira etapa uma caracterização da faculdade da imaginação que julgamos satisfatória, pudemos na quarta parte da tese resolver retrospectivamente as outras duas questões iniciais e ainda descobrimos uma saída inesperada para um quarto problema, a saber, as razões da ampla reformulação do capítulo “Dedução das Categorias” para a segunda edição Crítica da razão pura (1787). Encerramos a pesquisa avaliando estes diversos aspectos no debate entre comentadores à luz de nossa interpretação, mostrando que os quatro problemas de que tratamos estão intimamente imbricados e que por isso sua solução precisa ser feita em conjunto.
