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A justiça como artifício, campo simbólico e sistema em aberto: Hume leitor de Hobbes

Maria Isabel Limongi

Autor
Maria Isabel Limongi
Revista
ethic@ - An international Journal for Moral Philosophy
Edição
21 / 3
Ano
2023
DOI
10.5007/1677-2954.2022.e91432
Páginas
469-488
Idioma
pt
2023Maria Isabel Limongi. A justiça como artifício, campo simbólico e sistema em aberto: Hume leitor de Hobbes. ethic@ - An international Journal for Moral Philosophy, v. 21, n. 3, p. 469-488, 2023.2

Uma das razões pelas quais Hobbes pode ser considerado o precursor do positivismo jurídico é  sua maneira de pensar o sistema de justiça como um sistema normativo  coerente e completo, autônomo em relação à sua base material,  isto é, às opiniões e interesses que motivam e sustentam sua instituição. A teoria hobbesiana do Estado abre assim o caminho para o fechamento da ordem jurídica reivindicado pelos teóricos do positivismo jurídico. No entanto, acompanhando o modo como Hume dialoga com Hobbes e desenvolve sua teoria do Estado, procurarei mostrar que este fechamento não é o único caminho aberto por esta teoria. Hume a explora e tensiona em sentido inverso, procurando pensar a abertura da normatividade jurídica para as opiniões e práticas sociais que a produzem e sustentam.