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A Justiça e a sua imagem: contradição ou coerência no discurso de Trasímaco?

RODRIGO SILVA ROSAL DE ARAÚJO

Tese
Autor
RODRIGO SILVA ROSAL DE ARAÚJO
Orientador(a)
Jesus Vazquez Torres
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA ( JOÃO PESSOA ) — UFPB-JP
Programa
FILOSOFIA (UFPE-UFPB-UFRN)
Grau
DOUTORADO
Ano
2010
2010RODRIGO SILVA ROSAL DE ARAÚJO. A Justiça e a sua imagem: contradição ou coerência no discurso de Trasímaco?. 2010. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA (UFPE-UFPB-UFRN)) — UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA ( JOÃO PESSOA ), PB. Orientador(a): Jesus Vazquez Torres.2

Resumo . O tema da justiça, ambientado no livro I da República, é .particularmente agudizado na primeira resposta de Trasímaco, que a identifica .com o interesse, a conveniência do mais forte (338c). O justo se reduz e se .parece com aquilo que está prescrito na lei editada pelo governante. Por trás .dessa questão, vê-se a problemática da governabilidade da cidade a partir da .lei escrita, convencionada. Lei que se coloca como medida da justiça e como .condição do exercício do poder. . Diante disso, analisando os argumentos que se desenvolvem ao longo .do livro I, nosso intento é sintetizar outros problemas que se ligam .inevitavelmente à questão, como, por exemplo, a dialética da physis e nomos e .a possibilidade de conciliação entre elas. Dela deriva a tensão que se dá, no .plano ético, entre autonomia e heteronomia, no político, entre naturalismo e o .positivismo jurídico. Associados a esta tensão, o chamado processo de .laicização e de relativização do saber. . Para alcançar tal objetivo, analisamos a teoria da aparência subjacente .ao tema da justiça e sua utilização na ética e na política. Precisamente para .caracterização dessa cidade ideal e desse melhor de acordo com a natureza .humana, é que não se pode prescindir da oposição aparência – realidade, pois .ela é extensiva ao campo prático, especificamente na discussão ética referente .à diferenciação bem real – bem aparente, ou a ser justo e parecer justo. . O ponto forte para auxiliar no deslinde – ou na melhor formulação da .questão – repousa no discurso de Trasímaco que destrincha o núcleo do seu .pensamento (343b – 344c). Aqui, a conveniência ou utilidade parece .decididamente marcada por uma relação de necessidade entre o mais forte e os .mais fracos. Evidencia-se que a estratégia de Trasímaco é a do pragmatismo. .Ele é irrefutável porque não se vincula a uma posição ética. .Essa constatação nos encaminha a vislumbrar o diálogo para além de .um simples exercício de investigação ética, admitindo-o como tentativa .legítima de definição de um campo de valores que possibilite avaliar com .acuidade a ação do cidadão. Na República, formular esse critério talvez .favoreça a compreender o frágil equilíbrio que opõe o bem próprio ao alheio, .necessário para definir a justiça, superando a concepção retributiva, .tradicional, rechaçada sucessivas vezes por Sócrates, porque conceitualmente .inepta para unificar a cidade. Isso reforça a idéia de complementaridade entre .as duas teses, sugerindo que são interdependentes. .Palavras-chave: justiça, Trasímaco, força.