A LINGUAGEM, O ENCOBRIMENTO DO OUTRO E A ÉTICA DA LIBERTAÇÃO EM SINÔNIMOS DE NADAV LAPID
Gabriela Lopes Vasconcellos de Andrade
- Autor
- Gabriela Lopes Vasconcellos de Andrade
- Revista
- Revista Ideação
- Edição
- 1 / 53
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.13102/ideac.v1i53.12252
- Páginas
- 203-217
- Idioma
- pt
O presente ensaio analisa o filme Sinônimos (2019), de Nadav Lapid, à luz do mito da Torre de Babel e da teoria decolonial de Enrique Dussel, articulando ainda reflexões de Jacques Derrida e Walter Mignolo. O estudo evidencia como a linguagem opera simultaneamente como tirania e possibilidade de libertação em contextos de migração e diáspora, ao situar o sujeito na condição de estrangeiro permanente. A narrativa do protagonista Yoav, jovem israelense que busca se tornar francês pela renúncia à própria língua e identidade, é lida como alegoria das hierarquias centro/periferia e dos processos de encobrimento do outro que sustentam a modernidade eurocêntrica. Assim, propõe-se que o filme, ao tematizar a incomunicabilidade e a babelização, revela a violência simbólica e material inscrita na língua e nas práticas de exclusão. Ao mesmo tempo, destaca a potência da arte e da linguagem como instâncias de resistência, desbabelização e criação de novas formas de pertencimento. Assim, Sinônimos é interpretado como metáfora da ética da libertação e da transmodernidade, conceitos centrais em Dussel, que afirmam a diferença e reivindicam um horizonte crítico para além das lógicas coloniais.
