A narrativa de Crítias: uma interpretação desde a discussão de seu gênero.
ALICE BITENCOURT HADDAD
- Autor
- ALICE BITENCOURT HADDAD
- Orientador(a)
- MARIA DAS GRACAS DE MORAES AUGUSTO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2008
A narrativa de Crítias, sobre a guerra entre a Atenas arcaica e Atlântida, presente nos diálogos Timeu e Crítias, de Platão, é apresentada como um lógos verdadeiro (a)lhqino/j) apesar de ter sido inventada pelo filósofo. A recusa da parte dos personagens de que ela seja um """"mito"""" (mu=qoj) tem intrigado muitos estudiosos, que escreveram sobre o tema para tentar compreender o que quereria Platão com essa aparente contradição. Que gênero de discurso ela seria é a primeira questão enfrentada por aqueles que pretendem interpretá-la. A leitura dos livros II e III da República é elucidativa quanto à questão por trazer a reflexão do próprio autor sobre a confecção de histórias e sua utilidade, bem como por oferecer uma discussão sobre noções importantes que ocorrem na narrativa de Crítias, como as de """"mito"""" (mu=qoj) e """"discurso verdadeiro"""" (lo/goj a)lhqh/j). A análise da narrativa propriamente dita, por sua vez, revela elementos que confirmam a pertinência da leitura da República, em especial da formulação que ali se elabora acerca da mentira útil. Todavia, para a compreensão da maneira como Platão fabrica a história contada por Crítias, ela não é suficiente, fazendo-se necessária uma comparação entre o texto da narrativa e outros gêneros de discurso apropriados pelo filósofo.
