A PLEBE E A SUA CONSTITUIÇÃO: O QUE HEGEL E MARX TÊM A NOS DIZER SOBRE O POPULISMO?
Emmanuel Nakamura
- Autor
- Emmanuel Nakamura
- Revista
- Revista Dialectus
- Edição
- 18
- Ano
- 2020
- DOI
- 10.30611/2020n18id61191
- Páginas
- 365-389
- Idioma
- pt
Nos últimos anos, a crítica à dinâmica de mercado capitalista e a questão da pobreza ganharam um espaço dentro dos estudos hegelianos. No debate público, assistimos hoje em dia a uma crescente preocupação com o fenôme-no do populismo. O objetivo do meu artigo é encontrar elementos para uma caracterização do novo populismo a partir da consideração de Hegel sobre a plebe. De acordo com Hegel, a geração da plebe é o resultado da dinâ-mica antagônica da economia de mercado liberalizada. A passagem da sociedade civil burguesa ao Estado se apoia na base precária da formação da disposição de ânimo política a favor do Estado. Esta provém do bem-estar particular legalmente reconhecido e realizado como direito através da dupla mediação do político entre as insti-tuições sociais e a representação política. A plebe assinala uma perturbação dessa dinâmica de reconhecimento, pois ela não está organizada nos círculos particulares das instituições da sociedade civil. Isso traz consequências negativas para o estado de direito: por um lado, a atuação do governo não pode ser controlada de baixo para cima e, por outro, a plebe desenvolve uma disposição de ânimo contra o governo e as instituições do estado de direito.
