Voltar para Artigos
Artigos

A psicodelia enquanto revolução molecular: o agenciamento de modos de pensamento e expressão a partir das experiências psicodélicas

Igor Fidelis Maia, Edson Gonçalves da Silva Filho, André Vinícius Nascimento Araújo

Autor
Igor Fidelis Maia, Edson Gonçalves da Silva Filho, André Vinícius Nascimento Araújo
Revista
Kalagatos
Edição
21 / 2
Ano
2024
Páginas
eK24023
Idioma
pt
2024Igor Fidelis Maia, Edson Gonçalves da Silva Filho, André Vinícius Nascimento Araújo. A psicodelia enquanto revolução molecular: o agenciamento de modos de pensamento e expressão a partir das experiências psicodélicas. Kalagatos, v. 21, n. 2, p. eK24023, 2024.2

Uma forma interessante de pensar a contribuição das chamadas “experiências psicodélicas” para o pensamento filosófico é encará-las do ponto de vista de uma “revolução molecular”. O termo, cunhado no influxo dos trabalhos de G. Deleuze (1925 – 1995) e F. Guattari (1930 – 1992), propõe um deslocamento de perspectiva acerca dos movimentos de transformação do social e da subjetividade, onde a distinção entre molar e molecular dá ênfase aos movimentos de agenciamentos micropolíticos do desejo. Devires que se articulam molecularmente, subjetividades constituindo “grupelhos” que mesmo não sendo estruturas molares, deliram todo o campo social, produzindo novas perspectivas. A relação entre o corpo e as moléculas psicodélicas forma um tipo de agenciamento, no qual é posta em questão a ordinariedade das percepções ligadas às estruturas molares da realidade. Isso cria a abertura na subjetividade para um tipo de experiência com os devires, entendidos como expressões de outros modos de existência. A experiência psicodélica exige da subjetividade agenciamentos expressivos ou de enunciação, já que os esquemas representativos convencionais da consciência se defrontam com percepções não ordinárias. Esperamos, ao encarar a experiência psicodélica nesse sentido, mostrar a fractalidade de sua produção de sentidos e transformações sociais, políticas, estéticas e subjetivas.