A radicalização do Niilismo na obra de Nietzsche: Acerca da posição de um novo sentido de criação e de aniquilamento
CLADEMIR LUÍS ARALDI
- Autor
- CLADEMIR LUÍS ARALDI
- Orientador(a)
- SCARLETT ZERBETTO MARTON
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2002
O niilismo torna-se uma questão decisiva na obra tardia de Nietzsche a partir da retomada da investigação sobre o pessimismo e na medida em que é articulado com os principais temas dessa época, a saber, o eterno retorno, a vontade de potência e a transvaloração dos valores. Nesta tese, investigamos o modo como o filósofo alemão relaciona a radicalização do niilismo, da negação, da destruição, com o modo de pensar mais radical e afirmativo da vida e do mundo. Procuramos mostrar, nesse sentido, que há em sua filosofia um pensamento dos extremos, isto é, um pensamento que se move entre a negação e a suprema afirmação da vida e do mundo. Nessa perspectiva, compreendemos o artista trágico, o espírito livre e o além-do-homem como três tipos de homem significativos, construídos ao longo de sua obra no intuito de radicalizar e superar o niilismo. Num primeiro momento, enfatizamos que a questão do niilismo, antes de ser somente o resultado dos estudos e preocupações da última fase do pensamento do filósofo alemão, já está prefigurada em escritos anteriores: na abordagem do pessimismo - antigo e moderno -, na filosofia do espírito livre e no 'anúncio' da morte de Deus. A partir disso, investigamos a perspectiva em que ele desenvolve seu pensamento dos extremos: o confronto com o niilismo, com a negação e com o pessimismo é condição para o estabelecimento de um novo sentido de criação e de aniquilamento. Num segundo momento, questionamos o modo como são relacionados, na filosofia nietzschiana, a criação e o aniquilamento, a história do niilismo e o eterno retorno, a vontade de potência ascendente e a decadente, a desvalorização e a transvaloração dos valores, o tipo superior e o último homem. Questionamos também a pressuposição do filósofo de que a radicalização do niilismo significa, ao extremo, a sua auto-superação e a transição à suprema afirmação. Buscamos avaliar, assim, em que medida Nietzsche alcança uma síntese dos opostos e se há na sua filosofia uma 'solução' última para as ambigüidades e problemas levantados.
