- Autor
- MARIA LÚCIA FERREIRA
- Orientador(a)
- FRANCISCO JAVIER HERRERO BOTIN
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2001
Enfoca a questão da linguagem através de uma reinterpretação da obra L'être et le néant, demonstrando o caráter ontológico central da linguagem na construção do para-si e que o torna necessariamente para-si-para-outro. A estrutura da consciência, tal qual apresentada por Sartre, implica uma relação dinâmica entre reflexão e cogito pré-reflexivo, fazendo com que uma vivência seja simultaneamente pré-reflexiva e reflexiva. A separação analítica que Sartre opera em alguns momentos na sua obra não corresponde, portanto, à estrutura ontológica da consciência, sendo apenas um recurso metodológico. A retomada da exposição vai permitindo demonstrar que a linguagem é um fenômeno ontológico que constitui o ser-para-si enquanto tal e que tem sua gênese a partir da consciência pré-reflexiva, só se completando enquanto estrutura comunicativa na reflexão. Esta releitura da obra sartreana permite tematizar o problema do valor de uma nova perspectiva, evidencianado que aquilo que falta ao para-si, o valor, não seria algo que o tornaria um em-si sob nenhuma forma, como a de em-si-para-si, mas sim aquilo que o torna apenas o que é: ser de falta. Deste modo, o fracasso apontado por Sartre, a impossibilidade para o para-si de tornar-se em-si, apresenta-se com o sentido de mera condição do para-si e o valor primeiro, digamos, a medida para todos os demais, revela-se como o outro para-si. Aquela parte da lua que falta ao para-si é, portanto, o outro e entre um para-si e outro a única ponte real é a linguagem, atitude que estabelece a relação entre sujeitos livres e que se reconhecem enquanto tais, constituindo doença do para-si as relações sado-masoquistas descritas por Sartre.
