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A TERCEIRA ANTINOMIA DA CRÍTICA DA RAZÃO PURA: O PRIMADO DO INTERESSE PRÁTICO DA RAZÃO NA QUESTÃO COSMOLÓGICA DA LIBERDADE

Rafael Tessare Dias

Autor
Rafael Tessare Dias
Revista
Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia
Edição
17 / 42
Ano
2025
DOI
10.36311/1984-8900.2025.v17n42.p222-247
Páginas
212-237
Idioma
pt
2025Rafael Tessare Dias. A TERCEIRA ANTINOMIA DA CRÍTICA DA RAZÃO PURA: O PRIMADO DO INTERESSE PRÁTICO DA RAZÃO NA QUESTÃO COSMOLÓGICA DA LIBERDADE. Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia, v. 17, n. 42, p. 212-237, 2025.3

Na Crítica da Razão Pura, Kant concentra grande parte de sua discussão sobre o problema da liberdade na seção dedicada à Terceira Antinomia. É notório que os resultados aí alcançados oferecem a base para a posterior investigação kantiana sobre a questão da liberdade nos escritos sobre a filosofia moral. Contudo, na seção das antinomias, Kant se ocupa ostensivamente com um conflito entre ideias cosmológicas, que parece não possuir relação com o problema do livre-arbítrio. Se é assim, teria a dimensão cosmológica do problema da liberdade alguma relevância para a fundamentação crítica da filosofia prática? Nosso objetivo é analisar a importância da dimensão cosmológica do problema da liberdade e como ela se vincula ao uso prático da razão. Para isso, procuramos mostrar os vínculos que a Crítica estabelece entre os conceitos de liberdade transcendental (cosmológico) e de liberdade prática (psicológico) em cada ponto da argumentação da Terceira Antinomia. Há, contudo, algumas dificuldades com essa estratégia. Primeiro, não é claro o movimento argumentativo de Kant na exposição da Terceira Antinomia que parece, sem mais, passar do campo cosmológico ao campo psicológico por meio de um vínculo entre liberdade cosmológica e liberdade psicológica. Segundo, como Kant pode sustentar que a liberdade transcendental, na resolução da Terceira Antinomia, pode ser o fundamento da liberdade prática? Nossa hipótese, diante dessas dificuldades, é que há um primado do interesse prático da razão na questão cosmológica da liberdade, que justifica os vínculos entre os conceitos de liberdade e expressa a importância da dimensão cosmológica para a moral.