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Afetos e paixões: à procura de uma cura

Maria Borges

Autor
Maria Borges
Revista
Princípios: Revista de Filosofia (UFRN)
Edição
31 / 64
Ano
2024
DOI
10.21680/1983-2109.2024v31n64ID35200
Idioma
pt
2024Maria Borges. Afetos e paixões: à procura de uma cura. Princípios: Revista de Filosofia (UFRN), v. 31, n. 64, 2024.2

  Nesse artigo, mostrarei como Kant antecipa a utilização de estratégias fisiológicas para o controle de afetos que escapam ao nosso controle racional. Inicio apresentando a concepção kantiana de afetos e paixões como doenças da mente.  Abordarei, então, a concepção de amor em Kant, comparando-a com a abordagem contemporânea deste sentimento por Brian Arp e Julian Savulescu em Love is the Drug: the chemical future of our relationships. Kant concebia os afetos como estados de carência ou excesso de excitação, seguindo a divisão do médico John Brown das doenças em astênicas e estênicas. Quando esses afetos são excessivos, ou excluem o domínio da razão, eles podem dar origem a doenças da mente, as quais, em casos extremos, devem ser curadas mediante uma estratégia medicamentosa. Por fim, mostro que a estratégia de utilização de medicamentos para regular afetos intensos não era  estranha à teoria kantiana. Palavras-chave: afeto, paixão, amor, Kant, cura