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Teses

Anatomia das paixões: a concepção somatopsíquica de Descartes e sua relação com a medicina

JULIANA DA SILVEIRA PINHEIRO

Tese
Autor
JULIANA DA SILVEIRA PINHEIRO
Orientador(a)
TELMA DE SOUZA BIRCHAL
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2012
2012JULIANA DA SILVEIRA PINHEIRO. Anatomia das paixões: a concepção somatopsíquica de Descartes e sua relação com a medicina. 2012. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS, MG. Orientador(a): TELMA DE SOUZA BIRCHAL.3

Esta tese trata do estudo dos aspectos somáticos das emoções na doutrina de Descartes, o qual denominamos """"concepção somatopsíquica cartesiana"""", e de sua vinculação com a medicina, necessária para entender os elementos e o funcionamento do corpo envolvidos na explicação do surgimento das paixões. Desta forma, mostramos como os conhecimentos médicos de Descartes contribuíram para a elaboração de sua “psicologia”. Neste trabalho, enfatizamos o papel do corpo na compreensão e na gênese das paixões, de modo que a “psicologia” cartesiana deverá ser entendida não como um estudo metafísico da psykhé, mas como um estudo dos eventos mentais que se estabelecem na relação entre corpo e alma. Para isso, esclarecemos o contexto dualista metafísico no qual esta teoria se insere, segundo o qual corpo e alma são substâncias completamente distintas, bem como a noção de união substancial, pelo qual estas substâncias interagem, formando o composto humano e propiciando o surgimento das paixões. Além disso, situamos os conhecimentos médicos de Descartes frente ao panorama da medicina de sua época – ainda fortemente marcado pela tradição galênica -, e mostramos sucintamente como ele adquiriu e construiu através da prática da dissecação, do diálogo com os médicos contemporâneos e da literatura médica. Com isso, realizamos um exame detalhado das condições biológicas das emoções, tomando os elementos provindos na anatomia e fisiologia, tais como: o sangue, a circulação sanguínea, os espíritos animais, os nervos, o cérebro, a glândula pineal e a memória corporal, Por fim, refletimos sobre o alcance das explicações biológicas no que diz respeito às emoções, considerando que, no contexto cartesiano, as paixões são pensamentos irredutíveis a movimentos corporais. Questionamos, assim, a possibilidade de uma mecanização e de um determinismo físico das paixões, mostrando que a abordagem fisiológica possui limites impostos pelo dualismo de substância. Nisto consiste a especificidade da psicologia cartesiana: coadunar causas orgânicas com a experiência subjetiva e imaterial das paixões, apoiando o estudo da alma na fisiologia do corpo.