- Autor
- Mariana Funes de Campos
- Revista
- Problemata - Revista Internacional de Filosofia
- Edição
- 17 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.7443/problemata.v17i1.78885
- Páginas
- 404-420
- Idioma
- pt
A compreensão de María Zambrano sobre a tragédia e o trágico é, mais do que idiossincrática, deveras reveladora da radicalidade de seu pensamento, uma vez que conecta as questões relativas ao ser e ao tempo, questões estas tão caras à filosofia, a partir de uma singular e original resolução poética. Tal perspectiva eleva a poeta e filósofa espanhola a uma das figuras mais interessantes e proeminentes do século XX. Em nosso artigo pretendemos sulcar uma senda no tempo a fim de alumbrar, ainda que de forma modesta, as questões relativas ao ser e ao tempo tendo como companhia Antígona. Em outras palavras, nossa análise de tais instâncias terá como centro a poética da tragédia e a filosofia do trágico. A partir da personagem clássica nos é possível assimilar as dimensões temporais segundo a fenomenologia zambraniana, que nos direcionam, analogicamente, para uma possibilidade interpretativa da condição humana. A resolução poética concebida para tal analogia revela, por sua vez, o sonho criador.
