- Autor
- Mateus Masiero
- Revista
- Cadernos de Ética e Filosofia Política
- Edição
- 45 / 2
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.11606/issn.1517-0128.v45i2p91-101
- Páginas
- 91-101
- Idioma
- pt-BR
O presente trabalho tem por objetivo discutir alguns importantes aspectos acerca dos usos que Montaigne faz do termo “fortuna” em seus Ensaios. O referido termo, de origem pagã, e amplamente utilizado no Renascimento, é recorrente na obra, a ponto de ter chamado a atenção dos censores da Inquisição de Roma, dos quais Montaigne se recusara a seguir as recomendações. Porém, mais do que uma mera preferência do autor, o uso da palavra fortuna parece estar vinculado a uma proposta de empreender uma investigação essencialmente laica e mundana, eximindo-se de preocupações teológicas e dogmáticas em geral. Assim, nosso intuito neste artigo será mostrar que tal escolha terminológica de Montaigne, bem como a recusa em acatar as recomendações dos censores romanos, não são atitudes gratuitas, mas, ao contrário, se baseiam em um projeto filosófico específico.
