- Autor
- Luís César Guimarães Oliva
- Revista
- ARARIPE — REVISTA DE FILOSOFIA -
- Edição
- 6 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.56837/Araripe.2025.v6.n1.1486
- Páginas
- 17-33
- Idioma
- pt
O fragmento da Aposta é um dos mais famosos e discutidos dos Pensamentos de Pascal, mas neste artigo deixaremos de lado as particularidades de sua argumentação, já bastante tratadas pelos comentadores, para nos focar na relação entre a aposta e o tipo de vida que ela acarreta. A aposta não é uma prova, mas coloca o leitor diante da derrota da razão na obtenção de provas e serve para influenciar racionalmente aquele que procura a verdade sem sucesso. O primeiro passo é abalar a indiferença do leitor à religião. O segundo, mais complexo, passa pela enigmática noção de bestificação, que tem em vista submeter o homem ao infinito por meio do cultivo de novos hábitos mentais e da imitação dos hábitos corporais do cristão. Mesmo que não possa produzir a fé, que sempre dependerá da graça divina, a bestificação tem o efeito de reformar a vida e o comportamento do indivíduo, criando nele uma disposição favorável à fé. Em suma, bestificar-se é um caminho moralmente sadio para esperar pela graça.
