Aprender com os cogumelos a pensar as virtudes nas ruínas do capitalismo a partir de uma ecologia das práticas: Uma leitura de Tsing, Stengers e MacIntyre
Rutiele Pereira da Silva Saraiva, Helder Buenos Aires de Carvalho
- Autor
- Rutiele Pereira da Silva Saraiva, Helder Buenos Aires de Carvalho
- Revista
- PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA
- Edição
- 17 / 40
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.26694/pensando.vol17i40.8959
- Páginas
- 95-106
- Idioma
- pt
A crise ecológica contemporânea tem gerado debates e desafios para a filosofia, colocando sobretudo a tarefa de pensar a formação de sujeitos capazes de agir em condições de precariedade e interdependência. A partir dos cogumelos matsutake descritos por Anna Tsing; da ecologia das práticas de Isabelle Stengers e da ética das virtudes de Alasdair MacIntyre, este artigo defende que habitar as ruínas do capitalismo requer o cultivo de virtudes desenvolvidas em práticas concretas de convivência, atenção e cuidado. Em um primeiro momento, analisaremos como Tsing concebe a precariedade como condição ontológica da vida contemporânea, trazendo o matsutake como figura filosófica para pensar formas de existência e resistência nas zonas de perturbação. Em seguida, articularemos a ecologia das práticas de Stengers para mostrar que cada modo de agir e conhecer produz sensibilidades próprias e exige atenção às suas condições de sobrevivência. Na terceira parte, retomaremos a estrutura macintyriana das virtudes (prática, bens internos e tradição), para argumentar que ela pode ser lida ecologicamente. O diálogo entre essas três perspectivas nos permite formular cinco virtudes para habitar as ruínas: humildade ecológica; atenção; cooperação; resiliência e esperança prática. Concluímos afirmando a relevância da reflexão sobre o matsutake como um modelo filosófico de persistência relacional em tempos de colapso.
