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AS CRÍTICAS DE HABERMAS A RAWLS ACERCA DO DIÁLOGO ENTRE SECULARISMO E RELIGIÃO NA DEMOCRACIA

Juliano Cordeiro da Costa Oliveira

Autor
Juliano Cordeiro da Costa Oliveira
Revista
Sapere Aude
Edição
7 / 13
Ano
2016
DOI
10.5752/P.2177-6342.2016v7n13p390
Páginas
390-403
Idioma
pt
2016Juliano Cordeiro da Costa Oliveira. AS CRÍTICAS DE HABERMAS A RAWLS ACERCA DO DIÁLOGO ENTRE SECULARISMO E RELIGIÃO NA DEMOCRACIA. Sapere Aude, v. 7, n. 13, p. 390-403, 2016.2

O artigo debate as críticas que Jürgen Habermas faz a John Rawls acerca do diálogo entre secularismo e religião na democracia. Enquanto Rawls defende uma divisão estrita, nos sujeitos, entre identidades religiosas e não religiosas, Habermas adota a estratégia da tradução da linguagem religiosa para uma secular, e não propriamente uma divisão entre identidades religiosas e não religiosas, embora conserve o elemento formal e kantiano da ética. Desta forma, enfatizaremos, primeiramente, em Rawls, a modificação teórica ocorrida entre a obra Uma Teoria da Justiça para o Liberalismo Político, uma vez que tal mudança torna-se fundamental para a proposta de Rawls acerca do diálogo entre secularismo e religião na democracia. Em Uma Teoria da Justiça, a razão pública é dada por uma doutrina liberal abrangente, enquanto no Liberalismo Político é proposta uma maneira de argumentar sobre valores políticos compartilhados por cidadãos livres e iguais, levando em conta suas doutrinas abrangentes, desde que estas sejam compatíveis com uma sociedade democrática. Finalmente, destacaremos as críticas de Habermas à ideia rawlsiana da posição original, tendo consequências em sua crítica posterior à proposta de Rawls de separação entre identidades religiosas e não religiosas nos sujeitos que deliberam. Habermas considera que há, em Rawls, um fardo adicional indevido que exige uma partição da identidade num aspecto público e noutro privado. Segundo Habermas, haveria, em Rawls, uma sobrecarga mental e psicológica insuportável para os religiosos, prejudicando as necessárias condições simétricas de participação na democracia.