As reivindicações da dor: crítica e sofrimento em Theodor W. Adorno
Luiz Philipe de Caux, Eduardo Neves Silva
- Autor
- Luiz Philipe de Caux, Eduardo Neves Silva
- Revista
- Trans/Form/Ação
- Edição
- 48
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.1590/0101-3173.2025.v48.n2.e025029
- Páginas
- e025029
- Idioma
- pt
A relação entre sofrimento e crítica da sociedade, em Adorno, é foco de mal-entendidos na literatura. De um lado, encontram-se aqueles que entendem que Adorno se equivocou, ao extrair normatividade de modo imediato do sofrimento, psicologizando a crítica e associando a não identidade ao lugar social da vítima. De outro lado, estão aqueles que compreendem afirmativamente que uma normatividade intrínseca ao sofrimento é que justifica a crítica social e dá o seu critério. O artigo pretende questionar os pressupostos comuns a essas duas posições, mostrando que, para Adorno, o sofrimento não é portador de uma normatividade própria, nem cumpre nenhuma função de justificação ou fundamentação, seja teórica, seja prática. A tese adorniana é que o sofrimento move a crítica e que, nesse sentido, a teoria, longe de ser neutra, está somaticamente implicada em seu objeto, possuindo, por isso, um forte componente expressivo.
