Autodeterminação como opressão: liberdade e ordem espontânea em F. A. Hayek
Amaro de Oliveira Fleck
- Autor
- Amaro de Oliveira Fleck
- Revista
- ethic@ - An international Journal for Moral Philosophy
- Edição
- 22 / 2
- Ano
- 2023
- DOI
- 10.5007/1677-2954.2023.e94968
- Páginas
- 443-460
- Idioma
- pt
A concepção moderna ou negativa de liberdade é usualmente vista como uma das características definidoras da tradição liberal. Neste artigo, eu pretendo contrastar a concepção de liberdade dos modernos de Benjamin Constant frente às concepções de liberdade negativa de Isaiah Berlin e de Friedrich Hayek. Eu defendo a tese de que não só não há uma continuidade entre elas como ainda há uma inversão em um ponto crucial: se para Constant a liberdade dos modernos carece da participação cívica em uma comunidade que se autodetermina, para Hayek tal possibilidade de autodeterminação é a própria fonte do risco da opressão, de modo que não há vínculo necessário ou possível entre liberdade e governo representativo. Ao fazer isto, argumento que Hayek oferece duas concepções distintas de liberdade, uma negativa (liberdade como ausência de coerção) e outra anti-positiva (liberdade como ausência de autodeterminação).
