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BEAUVOIR LEITORA DE SADE

Guilherme Grané Diniz

Autor
Guilherme Grané Diniz
Revista
Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia
Edição
17 / 43
Ano
2026
DOI
10.36311/1984-8900.2025.v17n43.p132-169
Páginas
132-169
Idioma
pt
2026Guilherme Grané Diniz. BEAUVOIR LEITORA DE SADE. Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia, v. 17, n. 43, p. 132-169, 2026.3

Entre 1951 e 1952, Simone de Beauvoir publicou seu ensaio É Preciso Queimar Sade? Nesse ensaio, Beauvoir aplica o instrumental fenomenológico e existencialista que desenvolvera em seus primeiros escritos à análise da obra do Marquês de Sade. Desse modo, produz um estudo que é, simultaneamente, uma peça importante para as pesquisas sobre o Marquês de Sade e para a compreensão de sua própria obra. Neste artigo, nos propomos a realizar uma dupla tarefa. Primeiramente, expor e comentar as articulações conceituais centrais desse texto. Para tanto, recorreremos também ao contexto de sua escrita e buscaremos evidenciar os diálogos que ele estabelece com Sade. Em segundo lugar, buscaremos mostrar sua relevância para os estudos da obra de Beauvoir. Isso será realizado através de uma análise comparativa dos temas, métodos e conceitos fenomenológicos empregados em É Preciso Queimar Sade? e aqueles formulados nos primeiros ensaios da autora, especialmente em Por uma Moral da Ambiguidade e em Pirro e Cinéias. Nosso objetivo global será mostrar que esse texto de Beauvoir evidencia o potencial da obra sadeana de dialogar com questões centrais de nosso tempo, de modo que a leitura promovida por Beauvoir não se resume a um comentário filosófico erudito, sendo, pelo contrário, uma peça central na formulação de sua filosofia.