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Biopolítica da infância e medicalização da educação em tempos de pandemia (covid-19) em Alagoas

Fernanda Lays da Silva Santos, Walter Matias Lima

Autor
Fernanda Lays da Silva Santos, Walter Matias Lima
Revista
Revista Ágora Filosófica
Edição
24 / 1
Ano
2024
DOI
10.25247/P1982-999X.2024.v24n1.p159-178
Páginas
159-178
Idioma
pt
2024Fernanda Lays da Silva Santos, Walter Matias Lima. Biopolítica da infância e medicalização da educação em tempos de pandemia (covid-19) em Alagoas. Revista Ágora Filosófica, v. 24, n. 1, p. 159-178, 2024.3

A infância tem sido alvo de projetos educativos e sociais que não estão isentos de neutralidade política, constituindo-se neles visões de mundo, sociedade, ser humano, sobretudo de infância. Segundo Foucault (2014), a medicina foi uma estratégia biopolítica que interveio na vida das populações, docilizando corpos e mentes para garantir força de trabalho útil, sadia e submissa. Partimos do pressuposto de que, historicamente, a infância tem sido o anseio de sonhos políticos, conforme Kohan (2009) em que a educação infantil foi alvo de investimentos para a formação do sujeito docilizado. Este artigo tem como objetivo analisar os discursos sobre a infância no contexto da pandemia Covid-19 e suas relações com discursos médicos e práticas biopolíticas no contexto escolar alagoano. Este trabalho é fruto da tese intitulada Biopolítica, medicalização e pandemia da Covid-19: saberes, discursos e poderes sobre as infâncias na Educação Brasileira nos séculos 20 e 21 em que adotamos como metodologia pesquisas bibliográfica, documental e estudo de caso. Constatamos que a bio-necropolítica se traduziu no controle do corpo e da vida da população em contexto pandêmico e gerou políticas de exclusão de estudantes da rede pública, constituindo-se na continuação da política higienista no contexto do século XXI.