Caos, acaso e vontade de potência: uma leitura nietzscheana da realidade
Arlison Frank Lisboa Alves
- Autor
- Arlison Frank Lisboa Alves
- Revista
- Argumentos - Revista de Filosofia
- Edição
- 18 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.36517/arf.v18i1.96622
- Páginas
- 126-137
- Idioma
- pt
O presente artigo investiga a crítica de Nietzsche à noção tradicional de ordem do mundo, tomando como eixo analítico a articulação entre caos, acaso e vontade de potência. Inserido no campo da ontologia e da genealogia dos valores no pensamento nietzschiano, o estudo tem como principal objetivo demonstrar que as ideias de lei, finalidade e valor não correspondem a estruturas intrínsecas do real, mas constituem interpretações produzidas pela consciência humana diante da instabilidade do devir. O problema central consiste em questionar se o cosmos, enquanto ordem inteligível, é uma realidade objetiva ou uma construção que visa garantir segurança e previsibilidade à experiência humana. Para tanto, adota-se um método hermenêutico-analítico, de natureza qualitativa, baseado na leitura rigorosa de obras fundamentais do autor, como A Gaia Ciência, Aurora, Genealogia da Moral e fragmentos póstumos. A análise evidencia que o mundo, em Nietzsche, deve ser compreendido como um campo de forças em constante tensão, destituído de finalidade e unidade, no qual o acaso desempenha papel constitutivo. Conclui-se que a ordem é uma ficção funcional, a moral uma criação histórica e o conhecimento uma forma de interpretação, o que implica uma reconfiguração do lugar do homem como criador de sentido em um mundo sem fundamentos últimos.
