Capitalismo, sonho coletivo: sobre a dimensão política do “onírico”no Trabalho das passagens de W. Benjamin
Aléxia Cruz Bretas
- Autor
- Aléxia Cruz Bretas
- Revista
- Cadernos de Ética e Filosofia Política
- Edição
- 1 / 08
- Ano
- 2006
- DOI
- 10.11606/issn.1517-0128.v1i08p33-48
- Páginas
- 33-48
- Idioma
- pt
Se o elemento "onírico" pode ser considerado recorrente na obra de Walter Benjamin, o longo e atribulado processo de redação do Trabalho das passagens (1927-1940) aponta para uma verdadeira guinada no tratamento conferido a ele em seus escritos. Influenciado pelos estudos marxistas, o autor esboça a tese da modernidade como espaço-tempo onírico, propondo a caracterização do capitalismo como "sono povoado de sonhos". Polêmicas, suas idéias encontram uma dura recepção por parte do Instituto de Pesquisa Social - o que acaba levando o então pesquisador-bolsista a modificá-las, e até suprimi-las. Compreender os motivos e as implicações subjacentes às divergências, tanto teóricas, quanto políticas, entre Adorno, Horkheimer e Benjamin se torna, portanto, crítico para uma reavaliação da dimensão histórica do "sonho coletivo", particularmente no projeto das galerias.
