CIDADANIA E SOBERANIA DIGITAIS PARA O USO EMANCIPADOR DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS NO ENSINO DE FILOSOFIA:: POLITIZAR AS TECNOLOGIAS
Valéria Cristina Lopes Wilke
- Autor
- Valéria Cristina Lopes Wilke
- Revista
- Problemata - Revista Internacional de Filosofia
- Edição
- 15 / 1
- Ano
- 2024
As duas primeiras décadas do novo século confirmaram para mim a inevitabilidade do digital, não como fatalidade e, sim, como horizonte de constituição dos devires das existências humanas e não humanas. Esse artigo visa apresentar aspectos da pesquisa desenvolvida na interseção do campo da Filosofia da Informação com o do Ensino de Filosofia no que tange à discussão sobre as tecnologias infocomunicacionais digitais (TIs), que são condição necessária, mas não suficiente para o trânsito autônomo pelas infovias. O objetivo é discutir a cidadania e a soberania digitais no contexto da Cibereducação e da Plataformização educacional que avançam sobre as políticas e as práticas educacionais. Para tanto, serão destacados elementos presentes em conceitos como Dispositivo Informacional, Capitalismo de vigilância, Capitalismo de plataformas, Colonialismo de dados, tendo em vista a necessidade de politizar a compreensão e o uso das tecnologias digitais para que as possibilidades e os caminhos da educação para se viver criticamente no ambiente digital não se afigurem tão-somente como preparação para lidar com os aparatos tecnológicos digitais para a circulação e engajamento a serviço do capital. Sem politizar as tecnologias, ou seja, sem compreender os aspectos políticos, econômicos e histórico-sociais presentes nas TIs, os aparatos técnicos e seus funcionários (na expressão de V. Flusser) são capturados pela teia do deslumbramento descontextualizado.
