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Clarice Lispector e Henri Bergson:

Tomás Prado

Autor
Tomás Prado
Revista
Artefilosofia
Edição
17 / 31
Ano
2022
Páginas
28-47
Idioma
pt
2022Tomás Prado. Clarice Lispector e Henri Bergson: . Artefilosofia, v. 17, n. 31, p. 28-47, 2022.3

O artigo propõe uma aproximação entre a escritora Clarice Lispector e o filósofo Henri Bergson em torno dos seguintes temas: o tempo como duração e os modos de acesso ao real por meio da intuição, da memória e das emoções. Para isso, abordaremos diversos textos de Clarice e de Bergson, elegendo como disparador central desta análise o conto de Clarice “Miopia progressiva”, presente na coletânea Felicidade clandestina. Trata-se de investigar se, em vez de uma deficiência do olhar, a miopia progressiva pode ser compreendida como uma percepção convergente com a intuição, a memória e as emoções. A filosofia de Bergson favorece o aprofundamento na experiência que a leitura do conto de Clarice mobiliza, e este por sua vez acena a ideias filosóficas que não se limitam ao plano conceitual e, por essa razão, são diversas vezes apresentadas pelo filósofo por meio de metáforas — destacadamente metáforas literárias. O encontro entre a literatura de Clarice e a filosofia de Bergson propicia uma rica oportunidade para pensarmos a relação entre intuição, memória, emoções e inteligência na atividade criadora voltada à linguagem.