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Clément Rosset e a duplicação do real. O paradoxo do ator entre a proteção fracassada e a aceitação jubilosa

Gustavo Bezerra do Nascimento Costa

Autor
Gustavo Bezerra do Nascimento Costa
Revista
Voluntas: Revista Internacional de Filosofia
Edição
9 / 1
Ano
2018
DOI
10.5902/2179378633639
Páginas
161-172
Idioma
pt
2018Gustavo Bezerra do Nascimento Costa. Clément Rosset e a duplicação do real. O paradoxo do ator entre a proteção fracassada e a aceitação jubilosa. Voluntas: Revista Internacional de Filosofia, v. 9, n. 1, p. 161-172, 2018.3

Em O real e seu duplo, Clément Rosset aponta para a estrutura paradoxal de duplicação do acontecimento, do mundo e do homem operada pela ilusão que anseia por ser, ao mesmo tempo, ela e outra. Duas alternativas éticas se descortinariam a partir daí: proteger-se do real pela criação paradoxal e fracassada de um duplo, ou aceitá-lo por meio do júbilo heroico. Tal estrutura, com efeito, remete ao paradoxo que, já em Diderot, caracterizaria o ator em cena: “vir a ser todos sem ser ninguém”. E é tendo como imagem esse mesmo ator – dessa vez, nos processos de cultivo e incorporação que, segundo Stanislavski, comporiam o personagem – que se pretende apresentar uma terceira possibilidade, presente já nos gregos, cujo princípio demanda dominar o kairós, o tempo oportuno à ação, para com ele roubar do acaso a astúcia que o converte em destino.