- Autor
- Nivaldo de Marins
- Revista
- Griot : Revista de Filosofia
- Edição
- 26 / 2
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.31977/grirfi.v26i2.5848
- Páginas
- 92-104
- Idioma
- pt
O problema mente-corpo permanece presente e desafiante no campo da filosofia. Propomo-nos a encará-lo através do olhar da Filosofia da Existência de Karl Jaspers. Os Somaticistas capitaneados por Wilhelm Grissinger defendiam a conceção que a doença mental era uma doença do cérebro. Por outro lado, Johann Heinroth, líder dos Psicologistas, defendia que a mente enferma sofria dos influxos da Moral e da Religião.Karl Jaspers vai se rebelar contra tais visões. A conceção de Grissinger receberá a denominação de “Mitologias Cerebrais” por parte de Jaspers.Jaspers lutará contra uma visão reducionista do enfermar psíquico. Em 1913 virá a baila a sua obra seminal Psicopatologia Geral que buscará um ordenamento bem definido dos diversos saberes existentes ao abordarmos o doente mental.Veremos que ao longo dessa obra, a questão mente-corpo sofrerá diversas abordagens e iremos demonstrar as diversas falhas de cada abordagem. Por fim, com a revisão da Psicopatologia Geral a partir da quarta edição, ocorrerá o que viemos a denominar uma “transposição” dos conceitos da Filosofia da Existência para a Psicopatologia Geral, nomeadamente no que diz respeito ao problema mente-corpo. De fecho, discutiremos as vantagens e desvantagens dessa “transposição” principalmente no que diz respeito a vertente da prática clínica.
