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Como não esquecer de viver o presente: um ensaio sobre a espiritualidade do amor

Cassiana Lopes Stephan

Autor
Cassiana Lopes Stephan
Revista
Griot : Revista de Filosofia
Edição
18 / 2
Ano
2018
DOI
10.31977/grirfi.v18i2.907
Páginas
375-396
Idioma
pt
2018Cassiana Lopes Stephan. Como não esquecer de viver o presente: um ensaio sobre a espiritualidade do amor. Griot : Revista de Filosofia, v. 18, n. 2, p. 375-396, 2018.2

Pierre Hadot nos mostra, em suas interpretações sobre Goethe e a tradição dos exercícios espirituais, que o amor verdadeiro possui um potencial transformador, pois corresponde a um exercício do espírito capaz de desvelar o ideal que envolve e constitui a realidade dos amantes.  Diferentemente, Foucault explica, através de Baudelaire e da cultura da estética da existência, que a experiência transfiguradora do amor propicia a criação do tempo presente como que por ficção e não pela presença do ideal no real.  A partir disso, talvez possamos afirmar que a espiritualidade do amor, concebida por Hadot, residiria na eternização do instante presente e na universalização da alma, cuja beleza articula os amantes idealmente à Natureza. Por outro lado, no caso da estética da existência foucaultiana a espiritualidade do amor concerniria à violação ficcional da condição que ata o si, os outros e o mundo à saudade do passado ou à ansiedade pelo futuro. Sendo assim, neste ensaio vislumbramos (a) pontuar as diferenças entre Hadot e Foucault no que concerne à vivência do tempo presente e à espiritualidade do amor para (b) indicarmos de que modo ambos compreenderiam a movimentação histórica do si e dos outros no mundo.