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“Compatibilismo agostiniano”: sobre a relação entre determinismo teológico e responsabilidade moral

Daniel Rodrigues da Costa

Autor
Daniel Rodrigues da Costa
Revista
Veritas (Porto Alegre)
Edição
70 / 1
Ano
2025
DOI
10.15448/1984-6746.2025.1.45574
Páginas
e45574
Idioma
pt
2025Daniel Rodrigues da Costa. “Compatibilismo agostiniano”: sobre a relação entre determinismo teológico e responsabilidade moral. Veritas (Porto Alegre), v. 70, n. 1, p. e45574, 2025.2

A análise sobre a relação entre responsabilidade moral e determinismo tem avançado, nas últimas décadas, na pesquisa sobre Agostinho. Trata-se de responder, então, como a ação humana pode ser dotada de responsabilidade dada a existência de Deus, nas propriedades consagradas pelo bispo de Hipona e que se tornaram, em grande medida, as propriedades da divindade na definição clássica do teísmo cristão. Estudiosos do tema cunharam o conceito de “compatibilismo agostiniano”, intentando definir a posição da filosofia madura de Agostinho, que parece defender simultaneamente a manutenção da responsabilidade humana e a absolutez do poder divino, capaz, inclusive, de determinar as ações humanas. Tendo como objeto esse conceito, o nosso objetivo compreende uma análise inicial da sua viabilidade filosófica, isto é, uma análise de seu conteúdo como proposta de solução para o problema em questão e da aparente insuficiência do conceito, seja designando algo na filosofia agostiniana, seja para as teorias compatibilistas. Nós iniciamos com uma seção sobre o tratamento contemporâneo da relação entre determinismo teológico e responsabilidade moral, e avançamos na introdução do conceito de “compatibilismo agostiniano” no tema; tratamos, então, dos pontos-chave da filosofia de Agostinho, especialmente de sua teoria sobre a ação moral, para demonstrar as distinções metafísicas entre boa e má ação. Por fim, reservamos a última seção para demonstrar como os dois pilares do compatibilismo, determinismo e livre-arbítrio, embora estejam presentes na filosofia de Agostinho, não podem ser aplicados sem considerar-se a gênese metafísica da qual o bispo de Hipona parte, gênese essa que não parece ser abarcada pelo conceito de “compatibilismo agostiniano”.