- Autor
- Cláudio Boeira Garcia
- Revista
- Philósophos - Revista de Filosofia
- Edição
- 11 / 1
- Ano
- 2008
- DOI
- 10.5216/phi.v11i1.3705
- Páginas
- 49-69
- Idioma
- pt
celebrações de textos e homenagens a seus autores parecem corresponder a disposições distintas. Celebrações requerem, sobretudo, que as obras tenham obtido significativo reconhecimento de seus leitores. Homenagens, às vezes, podem ser dedicadas a escritores pelo fato de serem autores dessas obras; contudo, na maioria dos casos, são dirigidas àqueles escritores que – em decorrência da natureza de sua atividade – afastam-se constantemente do convívio interdiscursivo com seus pares sem que isso os impeça de partilhar intensamente de preocupações humanas comuns do tempo em que lhes foi dado a viver. Para esses, é o gesto da homenagem que parece suspender, por instantes, o apreço por suas escritas, para demonstrar gratidão pelas palavras e ações que empreenderam na preservação do mundo como um espaço habitado e partilhado por muitos. No caso de Arendt, celebrar sua obra empenhada em reconhecer a dignidade que corresponde à vida política parece convergir com o gesto de homenagear alguém que, decididamente, através de seus escritos, opiniões e juízos contribui para significar e preservar os interespaços mundanos nos quais ocorrem e se realizam os assuntos humanos.
