Comunidade e Indivíduo na Democracia: Charles Taylor leitor de Tocqueville
Juliano Cordeiro da Costa Oliveira
- Autor
- Juliano Cordeiro da Costa Oliveira
- Revista
- PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA
- Edição
- 16 / 38
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.26694/pensando.vol16i38.6493
- Páginas
- 46-56
- Idioma
- pt
O presente artigo objetiva explicitar a influência do diagnóstico de Tocqueville no pensamento político de Charles Taylor. Nomes como Hegel, Heidegger e Merleau-Ponty são constantemente lembrados como pensadores que marcaram profundamente a gênese da filosofia de Taylor. Entretanto, pouco se diz acerca da influência de Tocqueville nas reflexões políticas de Taylor. Em várias passagens da obra do pensador canadense, principalmente em suas reflexões políticas, o nome de Tocqueville é sempre enfatizado à luz do problema do individualismo e da perda dos vínculos de solidariedade nas sociedades modernas e democráticas. Taylor ressalta o declínio do espírito cívico na contemporaneidade, haja vista concepções de sociedades centradas na ideia de indivíduo atomizado. A hipótese deste artigo é que a influência de Tocqueville é determinante para as reflexões políticas de Taylor, principalmente em temas como o crescente individualismo na modernidade e o declínio dos vínculos de solidariedade na democracia. Assim como em Tocqueville, Taylor propõe um resgate da noção de comunidade enquanto sujeitos que participam das decisões que os afetam, numa recuperação da ideia de bem comum. Trata-se, em Taylor, de uma noção de democracia com base em certos valores republicanos, algo igualmente enfatizado por Tocqueville, que, por sua vez, alertava para o risco de a democracia desenvolver formas de despotismo, em que a apatia dos sujeitos legitimaria poderes não republicanos, onde o individualismo e o consumismo substituiriam noções de bem comum e de uma cidadania participativa, temas fundamentais para as reflexões políticas de Taylor.
