Conhecimento Moral como solução de problemas práticos: Um comentário a “Contrato & Virtudes III”
Rafael Vogelmann
- Autor
- Rafael Vogelmann
- Revista
- PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA
- Edição
- 16 / 37
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.26694/pensando.vol16i37.6617
- Páginas
- 198-212
- Idioma
- pt
Este artigo discute a teoria do conhecimento moral oferecida por Coitinho em Contrato & Virtudes III. Segundo Coitinho, uma crença moral está justificada e, conta, portanto, como conhecimento moral, se ela é coerente com um conjunto coerente de afirmações morais marcado por três condições: convergência intersubjetiva, razoabilidade e capacidade de garantir estabilidade social. Em Contrato & Virtudes III, Coitinho sustenta que devemos entender o conhecimento moral nos moldes da epistemologia das virtudes, segundo a qual uma crença conta como conhecimento quando é o fruto de uma boa performance de uma capacidade cognitiva. O processo de equilíbrio reflexivo não é concebido, contudo, como um método para acessar fatos morais independentes. Seu alvo não é a verdade, mas a resolução de problemas práticos. Argumento que devemos compreender a posição de Coitinho da seguinte forma: o alvo da reflexão prática (que toma a forma do Equilíbrio Reflexivo) é a solução de problemas práticos e, como tal, quando os juízos normativos resultantes desse procedimento atingem esse objetivo ou alvo (isto é, quando são boas soluções para o problema prático em tela) eles contam como conhecimento moral objetivo. Para Coitinho, portanto, conhecimento moral consiste em boas soluções de problemas práticos. Este artigo busca articular esta tese e formular algumas dificuldades enfrentadas por ela.
