Voltar para Artigos
Artigos

Conquistar o Tertium Datur: Sloterdijk em defesa de uma “antropologia cibernética” (entre Heidegger, Günther e Latour

Maurício Fernando Pitta, José Fernandes Weber

Autor
Maurício Fernando Pitta, José Fernandes Weber
Revista
Trans/Form/Ação
Edição
43 / 1
Ano
2020
DOI
10.1590/0101-3173.2020.v43n1.11.p189
Páginas
189-212
Idioma
pt
2020Maurício Fernando Pitta, José Fernandes Weber. Conquistar o Tertium Datur: Sloterdijk em defesa de uma “antropologia cibernética” (entre Heidegger, Günther e Latour. Trans/Form/Ação, v. 43, n. 1, p. 189-212, 2020.3

Martin Heidegger desenvolveu uma análise da metafísica e da tecnologia que questionava radicalmente seus pressupostos ontológicos. Contudo, para Peter Sloterdijk, autor de uma revisão do motivo da clareira (Lichtung) heideggeriana intitulada Domesticação do ser: clarificando a clareira, Heidegger padece daquilo mesmo que ele critica: uma pendência para a ontologia clássica que, desde pelo menos Platão e Aristóteles, separa o ser e o nada, basila o princípio de bivalência na lógica, excluindo qualquer terceira possibilidade, e permite os dualismos constitutivos da metafísica. Seguindo o antropólogo Bruno Latour, que evidenciara que “modernidade” não é senão uma crença na cisão entre os polos de forma e matéria, sujeito e objeto, natureza e cultura, também Sloterdijk vai atribuir a Heidegger a pendência à ontologia clássica, elevada ao nível da cisão entre o ôntico e o ontológico. Diante disso, o que sugere Sloterdijk? Uma alternativa à ontologia clássica na cibernética de Wiener e Günther, reatando os laços, desfeitos por Heidegger, entre ontologia e antropologia. Este trabalho tem por intenção articular a crítica de Sloterdijk, a investigação de Latour e a revisão ontológico-lógica de Günther, a fim de assentar bases para compreensão do projeto sloterdijkiano de se pensar a antropologia a partir de pressupostos cibernéticos. Recebido: 20/07/2017Aceito: 24/10/2019