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Constelação vital: da vida excitada à vida incitada - um ensaio sobre o pensamento de Theodor W. Adorno

Marcelo Leandro dos Santos

Tese
Autor
Marcelo Leandro dos Santos
Orientador(a)
Ricardo Timm de Souza
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2010
2010Marcelo Leandro dos Santos. Constelação vital: da vida excitada à vida incitada - um ensaio sobre o pensamento de Theodor W. Adorno. 2010. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Ricardo Timm de Souza.3

Este estudo revisita Adorno desde o prisma do sentido de seu pensamento. A referência principal é sua obra Minima moralia, um conjunto de 153 aforismos escritos entre os anos de 1944 e 1947. A relevância filosófica da referida obra apresenta como característica marcante o fato de ser contrária à euforia. Por esse motivo, Nietzsche é criticado como representante de uma mensagem excessivamente confiante com sua noção de “ciência alegre”. Em contrapartida, Adorno pauta sua crítica desde uma “triste ciência”. Para tal, Adorno desmembra a potencialidade dialética do pensamento como dimensão humana por excelência, a qual distingue homem de natureza, homem de Deus. A prerrogativa inadiável é de que o mundo humano tem de ser construído desde o sentido humano, ou seja, desde a consciência do uso da razão. Assim, é observado que a razão instrumental descaracteriza o humano e, por isso, ela produz o inumano. Rompendo com o uso instrumental da razão, Adorno busca uma produção cuja práxis esteja comprometida com a viabilização racional do desenvolvimento humano. Por isso, o trabalho intelectual combina apenas com a decepção. Nesse sentido, determinada sociologia do trabalho é necessariamente questionada por Adorno. A produção humana ter de ser reavaliada, na medida em que se mostra capaz de estabelecer uma vida deformada, através de uma “falsa humanização” oriunda do pensamento administrado. Adorno identifica a estupidez [Dummheit] como experimento de inibição intelectual,.que provoca uma cultura semiformada [Halbbildung], a qual constitui uma crítica extremamente fraca ao contexto da “falsa humanização”. Explorando o caráter.exclusivista da subjetividade moderna, o aparelho publicitário projeta falsas imagens para o sempre idêntico. A produção humana se envolve nessa essência adulterada [Unwesen]. Um modelo de produção – trabalho intelectual [Kopfarbeit] – que sai desse laço é o ensaio, o qual luta conscientemente contra o método cartesiano do conhecimento. O paradigma da redenção [Erlösung] se apresenta para Adorno na 7 tentativa de restabelecer a dimensão consciente do pensamento: o ser humano que não destrói seu sentido. Por essa razão, a filosofia pode ultrapassar o aspecto utópico, a própria negatividade, tendo como argumento a urgência do pensamento consciente. A tese aqui defendida é a seguinte: a história somente se humaniza através de uma práxis verdadeiramente delicada em contraponto com a potência dialética do pensamento.