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Constituição do outro e o primado do ego transcendental:: como superar a divergência entre Husserl e Ricœur?

Wellington Pires

Autor
Wellington Pires
Revista
Trilhas Filosóficas
Edição
18 / 2
Ano
2026
Idioma
pt
2026Wellington Pires. Constituição do outro e o primado do ego transcendental:: como superar a divergência entre Husserl e Ricœur?. Trilhas Filosóficas, v. 18, n. 2, 2026.4

O artigo investiga como a relação de Ricœur com a fenomenologia é decisiva para compreender a delicada questão da constituição do outro na perspectiva do sujeito transcendental. Para isso, examinamos os elementos fundamentais da filosofia de Husserl, e mostramos como ao acolher o seu legado, o filosofo francês toma distância do idealismo que o sustenta. Por isso, desejamos verificar em que medida Husserl oferece instrumentos rigorosos e honestos para compreender as relações humanas em suas possibilidades e em seus limites. Se a questão do outro ocupa um lugar importante, Husserl propõe a empatia como fundamento da experiência intersubjetiva. Desse modo, Ricœur reconhece o valor desse esforço, porém critica o fato de que a empatiamantém a alteridade do outro subordinada ao sujeito que constitui. A nossa análise mostra que o principio da subjetividade transcendental em chave ética reduz o outro a função derivada da consciência e pretende esclarecer como essa crítica abre espaço para a busca de uma abordagem mais sólida da alteridade.