CONTIGÊNCIA E ANÁLISE INFINITA: Estudo sobre o lugar do principio de continuidade na filosofia de Leibniz
Viviane de Castilho Moreira
- Autor
- Viviane de Castilho Moreira
- Orientador(a)
- DENIS LERRER ROSENFIELD
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL — UFRGS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2001
Resumo de Tese: Contingência e análise infinita: estudo sobre o lugar do Princípio de Continuidade na filosofia de Leibniz..Viviane de Castilho Moreira....Pretendeu-se na investigação encetado é compreender a solução prentendida por Leibniz às dificuldades, no seu sistema filosófico, relativas às condições lógicas de distinção entre verdades necessárias e contingentes. A dificuldade surge no confronto das referidas condições com a caracterização leibniziana da verdade. ..De acordo com Leibniz, ser verdadeira, para uma proposição, consiste em ter a noção do seu predicado contida naquela do seu sujeito, de tal maneira que toda proposição verdadeira seria ou bem uma identidade estrita ou bem redutível a uma identidade. Ora, visto que a negação de uma identidade é uma contradição, parece-se depreender dessa caracterização de verdade que toda verdade seria necessária. Salta aos olhos o obstáculo que uma tal caracterização apresenta à pretensão de se distinguir uma distinção lógica entre verdades necessárias e verdades contingentes. Com efeito, da referida caracterização de verdade parece se seguir que toda verdade é necessária. E, contudo, antes que recusar a distinção lógica entre o necessário e o contingente, Leibniz insiste em mantê-la. Segundo ele, uma verdade necessária é aquela cuja negação implica uma contradição, quer dizer, envolve uma impossibilidade; uma verdade contingente, ao contrário, é aquela de cuja negação não se segue nenhuma contradição, isto é, é aquela cuja negação é falsa, permanecendo não obstante uma possibilidade...Leibniz não ignora as dificuldades envolvidas na compatibilização de suas teses. Na tentativa de resolvê-las, ele apela à distinção com respeito à extensão da análise dos termos que, nas proposições verdadeiras, as reduziria a identidades. Segundo ele, uma verdade necessária seria aquela passível de ser reduzida a uma identidade em um número finito de passos; uma verdade contingente, ao contrário, seria aquela cuja redução a identidade por análise exigiria uma infinidade de passos. ..Procedeu-se no estudo resolver as seguintes dificuldades: Em primeiro, examinar as razões de Leibniz para caracterizar a verdade da maneira acima exposta, isto é, como a inclusão do predicado no sujeito da proposição. Respondida essa primeira questão, foi preciso esclarecer por que, uma vez tendo admitido essa caracterização, Leibniz insistiria em manter a diferença entre necessidade e contingência nos termos em que manteria, já que isso o conduziria a uma grande dificuldade em sua filosofia. Por fim, procedeu-se ao exame da saída indicada pelo filósofo, a qual foi mencionada acima. Investigou-se então se ela realmente poderia satisfazer os requisitos para proporcionar uma solução definitiva ao problema. Em outros termos, procurou-se examinar se a distinção entre análise finita e análise infinita estaria apta a conferir uma dimensão lógica à diferença entre o necessário e o contingente, de tal maneira a se configurar uma resposta satisfatória ao problema proposto.
