- Autor
- José Francisco de Andrade Alvarenga
- Revista
- Sapere Aude
- Edição
- 17 / 33
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.5752/P.2177-6342.2026v17n33p452-466
- Páginas
- 452-466
- Idioma
- pt
O presente artigo reconstrói o percurso pelo qual Marx, em Sobre a Questão Judaica, passa da crítica da religião à crítica do Estado, demonstrando que a emancipação política constitui um avanço real, porém insuficiente e parcial. Com base na análise desse texto, mostramos que essa emancipação desloca a religião para a esfera privada, produzindo a duplicidade bourgeois/citoyen. Ao separar o homem real e o homem verdadeiro, na verdade, ela conserva a estrutura que produz a necessidade da religião e da vida dupla do indivíduo. Em seguida, analisam-se as noções de liberdade, igualdade e segurança como formas que expressam o modo de funcionamento da sociedade burguesa, preparando a passagem para a definição positiva do conceito de emancipação humana. Por fim, argumenta-se que somente a emancipação humana supera os limites da emancipação política: o homem real “recupera para si” o homem verdadeiro, integrando, dessa forma, o ente genérico à sua vida empírica.
