Da phantasía à prolepsis - o problema da indução na formação do conceito no Epicurismo e Estoicismo
Ignacio Cesar de Bulhões
- Autor
- Ignacio Cesar de Bulhões
- Orientador(a)
- MARIA DAS GRACAS DE MORAES AUGUSTO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2002
Discute-se aqui a formação dos primeiros conceitos, as prolepses, tal como é concebido nas epistemologias epicuréia e estóica. A perspectiva empirista de ambas escolas privilegia as impressões sensoriais como fonte de todo conhecimento, das prolepses em primeiro lugar. Ora, neste caso, é indispensável justificar a passagem de conteúdos sensíveis para conteúdos inteligíveis. Explica-se que a repetição mnemônica de impressões sensíveis enseja a intelecção de um padrão que lhes é comum, os traços semelhantes que constituem a noção geral que a todas reúne. Esta intelecção é concebida como um processo de inferência indutiva mais ou menos intuitivo e imediato. A indução, entretanto, mostra-se, nas análises de Aristóteles e Sexto Empírico, um método que, por suas próprias características, é limitado ao conjunto reduzido de casos particulares, nunca representativo do universal. Ora, se somente desse se dá conhecimento, então aquele método não lhe serve. O estudo conclui atestando o caráter lacunar do empirismo epicureu e estóico, sua inconsistência teórica, seu avanço, se comparado a tentativas anteriores de fundar o conhecimento na empiria. Sugere, ainda, que o problema permanece aberto, e nosso julgamento provisoriamente suspenso.
