Da transcedentalidade do da-sein à verdade da essência: ca-racterização dos momentos estruturantes da filosofia de Heidegger entre o final da dé-cada de 20 e o início da de 30
NÉLSON JOSÉ DE SOUZA JÚNIOR
- Autor
- NÉLSON JOSÉ DE SOUZA JÚNIOR
- Orientador(a)
- Ernildo Jacob Stein
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2006
A pesquisa visa, centralmente, aclarar a desenvolver os conceitos da ontologia fundamental de M. Heidegger, nos últimos anos da década de 20. Em vista disso, é imprescindível destacar que, na e através destas conceituações, ocorre, sem dúvida, um movimento, sutil e bastante complexo, de intensificação do próprio projeto, erigido inicialmente em Ser e Tempo, de refundação da metafísica enraizado na análise estruturante do Da-sein, enquanto ser-no-mundo, a partir do fato determinante que é a compreensão do Ser. Assim posto, o que a tese propõe é a visualização e o consecutivo esclarecimento dos momentos nucleares em que esta estruturação se dá de maneira mais enfática. Melhor dizendo, os conceitos de transcendência do Da-sein, de liberdade, de fundamento, de mundo e, finalmente, de verdade preenchem, de uma perspectiva fenomenológico transcendental, os lugares em que ocorre, efetivamente, a radicalização, isto é, a busca dos limites mais extremos da constituição e da assunção de si do Da-sein, a qual se concentra na relação bastante peculiar entre liberdade e verdade enquanto não-encobrimento. Por certo, apenas o alcance da auto-limitação da metafísica do Da-sein, precisamente no ano de 1930, exige, por assim dizer, o estabelecimento de um novo norteador para a questão que, em Heidegger, permanece sendo a mais originária: a do sentido do Ser. Em conformidade à esta movimentação, nos primeiros anos da década de 30 já é perceptível, mesmo que de modo restrito, a abertura de uma perspectiva distinta na qual o próprio acontecimento do Ser, no e através de seu caráter encobridor, assume o primeiro plano, o que, seguramente, transforma as necessidades da filosofia, na medida em que o que passa a vigorar é a relação entre Ser e pensar, ou melhor, a vinculação estrita entre Ser e verdade(não encobrimento). Esta mudança do questionar recebe, na segunda metade da década de 30, a denominação de viravolta. Por estas explicitações, a finalidade da tese consiste no propiciamento de um acesso mais coeso e produtivo ao cerne do projeto da ontologia fundamental, entre 27 e 29, sendo que unicamente através dele se torna possível a primeira aproximação com o que é chamado de segundo Heidegger. O que interessa, portanto, é a obtenção de um espaço interpretativo em que estas tematizações sejam vistas nas suas especialidades.
