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DEPOIS DO FIM DO MUNDO - A CRISE DA MODERNIDADE E A BÁRBARIE.

MARILDO MENEGAT

Tese
Autor
MARILDO MENEGAT
Orientador(a)
GILVAN LUIZ FOGEL
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2001
2001MARILDO MENEGAT. DEPOIS DO FIM DO MUNDO - A CRISE DA MODERNIDADE E A BÁRBARIE.. 2001. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): GILVAN LUIZ FOGEL.2

O tema desta tese é a formulação das bases de um conceito de barbárie como conceito chave para compreender a cultura e a sociedade contemporânea. Para tal são articulados e entrelaçados três fios condutores. O primeiro é o impasse da formação histórica de uma razão objetiva. Parte-se do pressuposto, confirmado ao longo da história da modernidade, que um """"reino dos fins"""" é incompatível com o lugar e a importância dos meios neste tipo determinado de sociedade que é a burguesa. O segundo fio condutor são as formulações conceituais da Escola de Frankfurt, em especial as das obras de Adorno e Horkheimer. Estes autores, num momento particular da manifestação da crise da modernidade no século XX, decorrente da persistência do impasse indicado anteriormente, procuram atualizar, enquanto crítica da positividade, os fundamentos de uma razão objetiva. Neste esforço, o conceito de barbárie surge como uma tendência do desenvolvimento histórico, que bem pode ser entendido pelo sutil desdobramento de uma velha idéia de Goya, para quem o sono da razão produz - e esta é a novidade - bárbaros, e não mais monstros. Os monstros, como pensava Goethe, do abismo vieram e ao abismo retornam. Os bárbaros vêem para ficar. Este é o terceiro fio a tecer este painel, e ele é a formulação dos impasses implícitos nas conclusões anteriores. .. A continuada crise da modernidade, que se transfigura na chamada cultura pós-moderna, é a forma estruturada da barbárie em nosso tempo. Barbárie aqui não tem um sentido adjetivo de """"perda dos valores"""", ou qualquer outra intenção moralista, cada vez mais comum nos discursos conservadores. Ela indica um estado de organização - a partir da desordem - dos impasses da sociedade burguesa tardia na época de sua aberta desagregação, iniciada (como sempre!), a partir da periferia, seu elo mais fraco.