Voltar para Artigos
Artigos

Descartes, Arnauld, Gassendi e Elisabeth da Boêmia: um debate em torno do pensamento em embriões à luz da medicina galênica

Rafael Teruel Coelho

Autor
Rafael Teruel Coelho
Revista
Cadernos Espinosanos
Edição
54
Ano
2026
DOI
10.11606/issn.2447-9012.espinosa.2026.246121
Páginas
237-270
Idioma
pt-BR
2026Rafael Teruel Coelho. Descartes, Arnauld, Gassendi e Elisabeth da Boêmia: um debate em torno do pensamento em embriões à luz da medicina galênica. Cadernos Espinosanos, n. 54, p. 237-270, 2026.3

Neste artigo, consagramo-nos à investigação de três diferentes maneiras a partir das quais um problema concernente à natureza da alma dos fetos foi colocado a Descartes. Em primeiro lugar, debruçamo-nos sobre a objeção de Arnauld, cujo conteúdo gravitou ao redor da (in)consciência da mente dos embriões. Em seguida, expusemos as peculiaridades da crítica de Gassendi, que, embora se valha do mesmo caso clínico utilizado por Arnauld, não menciona o tema da inconsciência da mente dos fetos durante a gestação. Ademais, analisamos o mesmo problema conforme formulado por Elisabeth da Boêmia, buscando mostrar de que maneira a princesa se distingue tanto de Arnauld quanto de Gassendi, o que faz da palatina a interlocutora mais fiel ao pensamento médico seiscentista. Todavia, embora se trate de diferentes formas de abordar um mesmo problema, os três interlocutores de Descartes fundamentam-se no cânone médico do século XVII, especialmente na medicina hipocrático-galênica. Por fim, limitamo-nos à exposição das respostas que Descartes ofereceu tanto a Arnauld quanto a Gassendi, haja vista que o filósofo, em sua correspondência com a princesa Elisabeth, não ofereceu respostas ao questionamento da nobre palatina, dedicando-se exclusivamente a desanuviar os problemas envolvidos na união substancial.