DESVENTURAS, TRIBUNAIS E ÉTICA DA INDIFERENÇA: A EXISTÊNCIA ESTRANGEIRA COMO EXPRESSÃO DO ABSURDO EM ALBERT CAMUS
André Luiz Pereira Spinieli
- Autor
- André Luiz Pereira Spinieli
- Revista
- Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia
- Edição
- 17 / 43
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.36311/1984-8900.2025.v17n43.p419-434
- Páginas
- 420-435
- Idioma
- pt
Albert Camus (1913-1960) representou uma das principais consciências críticas do último século, principalmente pelas oposições que apresentou aos regimes totalitários e ao emprego da violência revolucionária como instrumento efetivo para as mudanças sociais. Na obra “O Estrangeiro”, o pensador franco-argelino expõe as desventuras de Meursault, um simplório funcionário de escritório, que termina encarcerado após a prática de um homicídio contra um árabe, em uma praia de Argel. Este trabalho objetiva analisar a categoria “estrangeiridade” como expressão do absurdo na filosofia camuseana, tendo como premissa a trama do protagonista Meursault – seja antes ou após seu ingresso no sistema de justiça argelino. Conclui-se que a interpretação da existência estrangeira como uma expressão do absurdo nos revela que o estrangeiro é aquele que, apegado aos grilhões que lhe prendem, deixa de se revoltar. Na filosofia de Camus, ser um estrangeiro é viver o absurdo.
